terça-feira, 22 de setembro de 2009
Ser Fênix
Ele chegou de onde não se sabe: taciturno, calado, inodor, incolor, insípido e deitou-se imediatamente, não ouvi o que falou, apenas deitou-se...
O outro dia era dia de trabalho: acordo logo, vou me embora correndo, sempre atrasada pela manhã...
Quando chego à noite, nem me lembrava mais...Estava lá dentro da minha gaveta jogado: um naco de papel e plástico queimados.
Será que abriu e leu? Será que do jeito que estava tocou fogo, incendiou? O que quis dizer esse incendiar? Eu não sofri. Ao contrário, cantei...Com o espírito leve de quem não sentiu ser queimada, ou com a experiência vivificada de que ser Fênix faz parte de mim.
Atualíssimo
O Navio Negreiro, Tragédia no Mar (VI)
Castro Alves
Existe um povo que a bandeira empresta
Pr'a cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa! chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu na vaga,
Como um íris no pélago profundo!...
...Mas é infâmia de mais... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo...
Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!
Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em Muritiba (BA), no dia 14 de março de 1847. Em 1862, publica no "Jornal do Recife", onde morava em companhia do irmão mais velho, "Destruição de Jerusalém". Em 1868 viaja para o Rio de Janeiro, onde é recebido por José de Alencar e Machado de Assis. No dia 7 de setembro, em São Paulo, declama "O Navio Negreiro", alcançando grande sucesso. O maior romântico brasileiro e, com Tobias Barreto, um dos fundadores da escola condoreira, inspirada em Vítor Hugo. Nativista, revelador da paisagem brasileira, republicano e abolicionista — o cantor do Navio negreiro é o nosso grande poeta social e nacional.
O poeta faleceu no dia 06 de julho de 1871, em Salvador (BA). É o patrono da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Para Murilo
Só sei que foi a Universidade Federal do Ceará que te trouxe para mim... A UFC só poderia me trazer coisas boas mesmo, hein, Murilinho?
Generoso ao extremo, justo, honrado, bondoso, jovial, leve, tímido, fiel, companheiro, confiável, pacífico, AMIGO.
É...O que seria de mim sem você para alegrar meus dias, para me ouvir, para me ajudar, para pedir minha opinião, para dividir o fone de ouvidos no ônibus, para me doar seu ombro?
Esse seu jeito manso me conquistou. Ganhou mais que minha amizade sincera e fiel, você tem um lugar especial aqui no meu coração e na minha vida.
Para todo o sempre.
em construção...
Chegando a Macondo
Chego a conclusão que estou concordando cada vez mais com o autor de "Cien Años de Soledad", me sinto como diante de um pelotão de fuzilamento, mas com o pensamento na lembrança do dia em que meu pai me levou para ver o gelo pela 1ª vez. E para me certificar dessa impressão retorno às suas leituras e compreendo que a verdade é que estou vivendo como alguém que ler e reler livros porque tem saudades dos personagens, porque vivo como essa leitora mais-que-fiel, espectadora de todos os acontecimentos que se desenrolaram de forma tão inexplicável, incrível e que culmiram na devastação daquele povoado, deste povoado que se encontra em cada um de nós todos e do que habita aqui dentro...
Em mim.
Entre experiências, impressões, pensamentos, esperanças, certezas e saudades.
Me pergunto: E se eu estiver mesmo em Macondo? Macondo...
Com suas águas transparentes moldando as pedras que mais parecem ovos de dinossauros, o clima agradável, as casinhas bancas, os pássaros que cantam ao meio-dia e fazem a vila parecer uma valsa, com seu cemitério virgem, os doces em formato de animais, os peixinhos de ouro, a Rua dos Turcos e a praça onde se instalavam os ciganos que vinham todo março.
E me respondo: Eis-me aqui, Macondo!
Mas aqui estou, corajosa, taciturna, solitária e decidida a ser a desbravadora da minha Macondo interior, depois de muitos anos descobrindo onde poderia chegar, muito tempo até decidir o momento de reler e de reescrever e publicar aqui o que descobri e construir esse povoado "dónde quiero llegar".
Aqui se encontra uma Mulher, sobretudo, disposta a se encarar como numa leitura, como que vislumbrando um painel, como nos dias de poesia ou nos dias de guerra. Com a única certeza que se teve até hoje: É sobre a simplicidade onde repousa o segredo da felicidade...
Sejam Bem-Vind@s!
Descubram-me!
Descubram-se...

